Resumo
Trabalho e emprego são dois termos normalmente conectados, dentro de um mesmo
campo semântico, embora possam adquirir conceitos e pesos distintos em um país em desenvolvimento e com grande desigualdade social. Emprego implica trabalho e
proteções de ordem trabalhista e previdenciária, o que não necessariamente ocorre com o trabalho, em seu sentido amplo, ainda que remunerado. Apoiados em uma abordagem qualitativa e em ampla revisão bibliográfica, esta pesquisa buscou analisar o declínio do emprego, suas principais causas e consequências, dentro de um recorte compreendido entre 2012 e 2024. O estudo demonstrou que a redução no número de trabalhadores formais foi acompanhada pela expansão do trabalho informal e do trabalho autônomo, resultando na chamada precarização das relações laborais. Além disso, fatores como o avanço tecnológico, terceirização, privatização, pejotização, falta de qualificação dos trabalhadores e reformas trabalhistas tiveram papel determinante para esse processo ao longo do tempo. Constatou-se ainda que a perda de empregos com a carteira assinada impactou diretamente a seguridade social, por conta da diminuição da remuneração e dos contribuintes, reduziu os direitos dos trabalhadores, criou instabilidade em relação à jornada de trabalho e ampliou o desequilíbrio das relações entre capital e trabalho. Enquanto o número de empregados cresceu 10,1%, no recorte realizado, a força de trabalho cresceu 14,3%, denotando um grande descompasso na geração de empregos.